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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

NÃO VALE A PENA...

 
Antônio Sampaio Júnior, valoroso tarefeiro do Centro Espírita “Regeneração”, do Rio de Janeiro, era humilde servidor num escritório.
Zeloso, correto, madrugador.
Certa feita, mal havia espanado os móveis pela manhã, para sentar-se à máquina de escrever, foi procurado por amigo situado no comércio do Rio.
– Sampaio – disse o visitante, sem rebuços -, sei que você é espírita e esfalfa-se, há muito tempo, enfrentando dificuldades. Quanto você ganha mensalmente?
- Quatrocentos reais.
O homem fez um gesto irônico e observou:
– Não vale a pena.
E prosseguiu:
– Não ignoro que você tem deveres de caridade na instituição que freqüenta, socorrendo órfãos e amparando viúvas… Como é que você arranja numerário para esse fim?
- Gasto o que posso, e, quando a despesa ultrapassa os recursos, tenho amigos… Faço listas, apelos…
- Não vale a pena. Estou informado de que você visita os infortunados nos morros, às vezes com sacrifício da própria saúde… Aproveita decerto o carro de alguém…
- Não disponho dessa facilidade. Temos bonde à porta e, depois do bonde, faz sempre bem uma caminhada a pé…
- Não vale a pena. Disseram-me – continuou o homem – que você, às vezes, passa noites à cabeceira de enfermos… Naturalmente, o diretor faz concessões… Boa cama no dia seguinte, ponto facultativo…
- Não é bem assim – falou Sampaio, humilde -, nem sempre posso visitar os doentes, mas se faço, meu dia de serviço core normal…
O amigo meteu a mão no bolso interno, trouxe à luz um documento e abriu-se, por fim:
- Pois é, Sampaio, admirando você como sempre, resolvi auxiliá-lo de vez. É tempo de você melhorar. Preciso de um sócio para um negócio da China… Três milhões de Reais. Você assina comigo a papelada e acompanharei todo o assunto… Gastaremos talvez cinqüenta mil reais na tramitação do processo… É um navio velho que vamos desencravar… Tudo pronto, você e eu ficaremos provavelmente com mais de um milhão cada um. Basta só que você assine…
Sampaio, sem desejar ofender, perguntou:
– Creio na lisura da iniciativa, mas há algum inconveniente a considerar?
-Bem, o assunto envolve alguns interesses de repartições públicas, mas temos noventa e nove probabilidades a nosso favor…
- E se falharem as noventa e nove?…
- Ah! Se vier o contra – informou o amigo, evidentemente desapontado,  – teremos entrevista no Distrito Policial.
Sampaio, sem perder a serenidade, falou simples:
– Não vale a pena.
E recomeçou a espanar.
 
Chico Xavier (Médium) Hilário Silva (Espírito)
Fonte da imagem: Internet Google

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Pensamento do dia:



"Esperar pelo tempo das coisas é um aprendizado necessário. O rio tem seu remanso. Quando apressado, ele faz desastres".
Pe. Fabio de Melo
Fonte da  imagem: Internet Google

Crer em Deus...

Alguns de nós cremos em Deus, por simples atavismo religioso. Assim nos ensinaram nossos pais. Deus existe e tudo criou.
Outros cremos porque a razão nos diz que não pode haver tanta harmonia, beleza e sincronia em todo o universo, sem algo ou alguém que a tudo presida.
O professor Cressie Morrisson afirma que ele crê em Deus por vários motivos. Um deles é o equilíbrio que existe no ecossistema.
Diz ele: Sabemos que os insetos respiram através de tubos. Na medida em que os insetos crescem, os tubos não crescem, o que faz com que eles morram, por falta de ar.
Assim acontece com a cigarra. Ela não morre de cantar, mesmo porque o barulho que identificamos como seu canto, se trata do ruído que ela produz atritando as patas. Quando ela cresce, os tubos não lhe dão o ar necessário e ela morre.
Se os insetos crescessem e, com eles, crescessem os tubos, poderíamos ter formigas do tamanho de elefantes e pulgas com corpos de rinocerontes, tornando impossível a vida, na face da Terra.
E, continua o professor, alguém pensou em elaborada lei para manter o equilíbrio na natureza. Uma lei que funcionou bem na Austrália, há alguns anos.
Naquele país, os ventos impediam a agricultura e teve-se a ideia de criar sebes, para proteger a semeadura nascente. Assim, passaram a cultivar uma espécie de cacto.
Logo, por não terem inimigo natural, eles ocupavam uma área maior do que o território do império britânico.
Usaram todos os métodos possíveis e nada acabava com os cactos, que continuavam a proliferar, sem medida. Os ventos carregavam o pólen.
Reuniram-se os entomologistas na capital australiana e chegaram à conclusão de que deveriam procurar um inseto que se alimentasse de cactos e que fosse excelente reprodutor.
O pequeno animal foi descoberto no Nordeste brasileiro e exportado, em quantidade, para a Austrália.
Pouco depois, os entomologistas novamente se preocuparam. Os cactos estavam desaparecendo. Mas, e os besouros? Não se tornariam uma praga no país?
Foi aí que a sábia lei do equilíbrio entrou em ação, estabelecendo cactos para besouros e besouros para cactos.
Por isso, diz Cressie Morrisson, eu creio em Deus.
David, no capítulo XVIII dos Salmos canta: Os céus proclamam a glória de Deus e o universo fala da obra das Suas mãos.
E o telescópio Hubble nos permite ver até um bilhão de estrelas, apenas na nossa galáxia. Cada qual com seu brilho especial.
Nosso sol, uma estrela de quinta grandeza, avança pelo infinito, com seus planetas, em uma jornada interminável, pelo universo.
Ante tanta grandeza, não se pode senão crer nesse Deus, sábio, inteligência suprema, que tudo criou, estabelecendo leis perfeitas, que zelam pela harmonia e beleza de todo o universo.
*   *   *
Um pai humano, mesmo que destituído de sentimentos superiores, providencia o pão, o agasalho, o medicamento, o socorro para o filho, planejando-lhe a felicidade.
O Pai Celestial, muito mais sábio e generoso, brinda todos os tesouros imagináveis aos Seus filhos.
Na Sua magnanimidade, enche de luzes o espaço infinito e, com a mesma grandeza, veste a singela flor do campo das cores mais suaves aos tons mais vibrantes.
 
Redação do Momento Espírita, com base em palestra de Divaldo Pereira Franco, Porque creio em Deus e no cap. 6, do livro Lições para a felicidade, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL
Fonte da imagem: Internet Google.

O MÉDICO E O FISCAL...


- Se possível, acelere um pouco a marcha.
Era o abnegado médico espírita, Dr. Militão Pacheco, que rogava ao amigo que o conduzia por gentileza.
E acrescentava:
- O caso é crupe.
O companheiro ao volante aumentou a velocidade, mas, daí a momentos, um fiscal apitou.
O carro atendeu com dificuldade e, talvez por isso, a motocicleta do guarda sofreu pequeno choque sem conseqüências.
O policial, porém, não estava num dia feliz e o Dr. Pacheco com o amigo receberam uma saraivada de palavrões.
Notando que não reagiam, o funcionário fez-se mais duro e declarou que não se conformava simplesmente com a multa.
Os infratores estavam detidos.
O Dr. Pacheco deu-lhe razão e informou que realmente seguiam com pressa para socorrer um menino sem recursos, rogando, humilde, para que a entrevista com a autoridade superior fosse adiada.
- Se o senhor é médico – disse o interlocutor, com ironia -, deve proceder disciplinadamente, sem sair do regulamento. Para ser franco, se eu pudesse, meteria os dois, agora, no xadrez.
Embora o amigo estivesse rubro de indignação, o Dr. Pacheco, benevolente, fez uma proposta.
O guarda deixaria, por alguns instantes, o veículo, e seguiria com eles no carro, mantendo vigilância.
Depois do socorro ao doentinho, segui-lo-iam para onde quisesse.
Havia tanta humildade na súplica, que o fiscal concordou, conquanto repetisse asperamente os insultos.
- Aceito – exclamou -, e verificarei por mim mesmo. Ando saturado de vigaristas. E creiam que, se estão agindo com mentira, hoje dormirão no Distrito.
A motocicleta foi confiada a um colega de serviço e o homem entrou, seguindo em silêncio.
Rua aqui, esquina acolá, dentro em pouco o carro atingiu modesta residência na Lapa, em S. Paulo.
Os três entram por grande portão e caminham até encontrar esburacado casebre nos fundos.
Mas, ao ver o menino torturado de aflição nos braços de infeliz mulher, o bravo fiscal, com grande assombro dos circunstantes, ficou pálido e com os olhos rasos de água.

O petiz agonizante e a jovem senhora sem recursos eram o seu próprio filhinho e a sua própria esposa que ele havia abandonado dois anos antes…


Waldo Vieira (médium)
 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Recado do dia:

Filho ... Quantas vezes te vi chorando e te consolei ... Quantas vezes te vi caído e te levantei ... Quantas vezes te vi fraco e te fortaleci ... Quantas vezes te vi sozinho e te visitei ... Quantas vezes te vi triste e te alegrei... quantas vezes te vi em perigo e te socorri , por isto não temas ... Eu sou contigo ... Sou Jesus ... Teu fiel amigo..
 

Autoria Desconhecida
Fonte da imagem: Internet Google

Não perdoar...



Bezerra de Menezes, já devotado à Doutrina Espírita, almoçava, certa feita, em casa de Quintino Bocaiúva, o grande republicano, e o assunto era o Espiritismo, pelo qual o distinto jornalista passara a interessar-se.
Em meio da conversa, aproxima-se um serviçal e comunica ao dono da casa:
- Doutor, o rapaz do acidente está aí com um policial.
Quintino, que fora surpreendido no gabinete de trabalho com um tiro de raspão, que, por pouco, não lhe atingiu a cabeça, estava indignado com o servidor que inadvertidamente fizera o disparo.
- Manda-o entrar – ordenou o político.
- Doutor – roga o moço preso, em lágrimas -, perdoe o meu erro! Sou pai de dois filhos…                
Compadeça-se! Não tinha qualquer má intenção… Se o senhor me processar, que será de mim? Sua desculpa me livrará! Prometo não mais brincar com armas de fogo! Mudarei de bairro, não incomodarei o senhor…
O notável político, cioso da própria tranqüilidade, respondeu:
- De modo algum. Mesmo que o seu ato tenha sido de mera imprudência, não ficará sem punição.
Percebendo que Bezerra se sentia mal, vendo-o assim encolerizado, considerou, à guisa de resposta indireta:
- Bezerra, eu não perdôo, definitivamente não perdôo…
Chamado nominalmente à questão, o amigo exclamou desapontado:
- Ah! você não perdoa!
Sentindo-se intimamente desaprovado, Quintino falou, irritado:
- Não perdôo erro. E você acha que estou fora do meu direito?
O Dr. Bezerra cruzou os braços com humildade e respondeu:
- Meu amigo, você tem plenamente o direito de não perdoar, contanto que você não erre…
A observação penetrou Quintino como um raio.
O grande político tomou um lenço, enxugou o suor que lhe caía em bagas, tornou à cor natural, e, após refletir alguns momentos, disse ao policial:
Solte o homem. O caso está liquidado.
E para o moço que mostrava profundo agradecimento:
- Volte ao serviço hoje mesmo, e ajude na copa.
Em seguida, lançou inteligente olhar para Bezerra, e continuou a conversação no ponto em que haviam ficado.

Chico Xavier e Waldo Vieira (médiuns)
Hilário Silva (espírito)

Fonte da imagem: Internet Google

Um siri vai lhe trazer alegria...

 
 
Sempre que o mundo desabava sobre minha cabeça, eu ia andar pela praia, próximo de onde morava.

Um dia encontrei uma bela garotinha de olhos tão azuis quanto o mar, construindo um castelo de areia ou algo parecido.

Oi, disse ela.

Eu respondi com um aceno de cabeça, não estava com humor para me aborrecer com uma criança.

Você quer me ajudar a construir meu castelo?

Hoje não. Falei pouco atencioso.

Eu gosto de sentir a areia em meus dedos do pé, ela falou sorridente.

Que boa ideia, pensei, e tirei meus sapatos. Um siri deslizou próximo.

Isto é um alegria, falou a criança.

É um o quê? Perguntei.

Isto é um alegria, livre pela praia.

Adeus alegria, olá dor, murmurei comigo mesmo e continuei a caminhar.

Eu estava deprimido, mas a menina não desistia e perguntou: Qual é o seu nome?

Eu sou Robert Peterson, respondi.

O meu é Wendy... Eu tenho seis anos.

Oi, Wendy.

Apesar de minha melancolia fui obrigado a rir e continuei caminhando.

Sua risadinha musical me seguiu.

Venha novamente, Sr. P., disse ela, animada.

Nós teremos outro dia feliz.

Meus dias foram atribulados e somente semanas depois é que voltei à praia.

A brisa era fria, mas eu andava a passos largos, tentando readquirir serenidade.

Tinha até me esquecido da criança, quando ela apareceu.

Oi, Sr. P., você quer brincar?

Não sei, que tal charadas? Perguntei sarcasticamente.

Eu não sei o que é isto, falou a menina.

Então me deixe continuar a caminhada.

Onde você mora? Perguntei-lhe.

Ali. Ela respondeu apontando na direção de uma fila de cabanas de verão.

Como você vai para a escola?

Eu não vou à escola. 
A mamãe disse que nós estamos de férias.

Ela tagarelou e quando eu ia voltar para casa, Wendy disse que tinha sido outro dia feliz. 
E havia sido mesmo.

Três semanas mais tarde, eu andava apressado pela praia, quase em pânico, quando a garota me alcançou.

Olhe, se você não se importa, hoje eu quero andar sozinho.

Ela me pareceu pálida e sem fôlego.

Por que? Ela perguntou.

Porque minha mãe morreu! Gritei.

Oh, então este é um dia ruim, falou a menina com ar de tristeza.

Sim, eu disse, e ontem e anteontem também. Vá embora!

Um mês depois disso, fui andar novamente na praia, mas ela não estava lá.

Sentindo-me culpado e admitindo para mim mesmo que sentia falta dela, subi até a cabana, e bati na porta.

Uma mulher jovem atendeu.

Olá, eu sou Robert Peterson.

Senti a falta de sua pequena menina e gostaria de saber se ela está bem.

Oh, sim, Sr. Peterson, entre, por favor.

Wendy falou muito a respeito do senhor.

Eu tinha receio que ela estivesse lhe aborrecendo.

Se ela foi um incômodo, por favor, aceite minhas desculpas.

Não, sua filha é uma criança muito amável. Onde está ela?

Wendy morreu na semana passada, Sr. Peterson. 
Ela tinha leucemia. 
Talvez não tenha lhe contado...

A notícia me deixou cego e mudo, por alguns instantes...

E a mãe continuou: Ela adorava esta praia e parecia um tanto melhor aqui. Aqui teve muito do que ela chamava de "dias felizes".

Mas nos últimos dias, ela piorou rapidamente...

Minha filha deixou algo para o senhor...

Entregou-me um envelope, com Sr. P. escrito em grandes letras infantis.

Dentro havia um desenho - uma praia amarela, um mar azul, e um siri marrom. 
Embaixo estava escrito: 
um siri vai lhe trazer alegria.

Lágrimas rolaram de meus olhos e um coração que quase esqueceu de amar abriu-se largamente.

Tomei a mãe de Wendy em meus braços e murmurei repetidas vezes: 
Eu sinto muito, sinto muito!

O pequeno e precioso desenho está agora emoldurado e pendurado em meu escritório.

Seis palavras - uma para cada ano de sua vida - me falam de harmonia, coragem, amor e desinteresse.


Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada.
Fonte da imagem: Internet Google